quinta-feira, 6 de agosto de 2026

DE VOLTA AO FUTURO

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Aos 12 anos, tive uma briga muito séria com meu pai, não me lembro mais por qual motivo. Em meio às acusações mútuas de desrespeito, olhei desafiadoramente para ele e gritei: não suporto mais viver nesta casa, vou pegar minhas coisas e vou embora pra nunca mais voltar.

Friamente, ele respondeu: “A porta da rua é serventia da casa. Pode ir, mas preste atenção: só leve com você aquilo que for seu. Não leve nada que tenha sido comprado com meu dinheiro”.

Humilhada, fui para meu quarto, pensando em arrumar a mala e fugir ainda naquela madrugada. Quando a retirei do armário, não foi preciso muito esforço mental para me dar conta de que a mala não me pertencia. Tentando me acalmar, disse para mim mesma, com desdém: não tem problema, jogo minhas coisas num lençol, amarro tudo numa trouxa e carrego no ombro. Poucos segundos se passaram para de novo constatar o óbvio: o lençol também não era meu, muito menos minhas roupas e sapatos, ou quaisquer outros pertences. Aos poucos, uma verdade aterradora emergiu na minha consciência: nem eu mesma me pertencia.

Ainda tentando espantar o pânico, respirei fundo e me imaginei saindo à rua totalmente nua, com as mãos abanando. Mas o medo e a vergonha falavam mais alto: para onde eu iria, onde dormiria, onde tomaria banho, como comeria, se não carregava comigo nem um mísero centavo? Minha determinação de ir embora de qualquer jeito começou a esmorecer.

Uma vez esgotadas todas as possibilidades, tomei uma decisão. Voltei ao quarto dos meus pais e, reunindo toda a empáfia que me era possível então, declarei solenemente (não com essas palavras, é claro): de hoje em diante, meu único propósito na vida vai ser me tornar independente financeiramente. Quando esse dia chegar, vou-me embora para sempre, sem olhar para trás.

O que mudou dentro de mim a partir daquele dia foi o próprio conceito de autoridade. Naquele momento entendi que, quando se troca o diálogo e a persuasão amigável pela força ou impossibilidade de negociação, não se está mais lidando com autoridade, mas sim com autoritarismo. Autoritarismo passou a ser, para mim, evidência de autoridade incompetente e impotente – por não saber como se fazer respeitar, ela precisa se valer das armas da opressão, do silenciamento do outro, da invalidação de toda forma de divergência.

Jurei a mim mesma que nunca mais me subordinaria aos desmandos de outra pessoa, fosse ela quem fosse. Foram precisos outros 12 anos para que minha promessa se concretizasse: aos 24 anos, já formada e empregada numa grande empresa, consegui enfim honrar minha palavra. Embora minha libertação do jugo paterno tenha representado um imenso alívio, muitas e muitas vezes eu me senti acossada por sentimentos de culpa e desamparo.

Obedecer sem contestação às regras determinadas por outrem nunca foi um princípio aceitável na minha cabeça. Resignar-me a um destino não escolhido por mim menos ainda. As normas de gênero daquela época – casar, ter filhos e cuidar de uma casa – também me pareciam draconianas e insensatas. Construir um futuro com minhas próprias mãos era meu único sonho substituto.

Como tudo o mais na vida, o tempo se encarregou de cicatrizar as feridas. A sensação boa de ser dona do meu próprio nariz me transformou numa espécie de feminista avant la lettre, ainda que jamais tenha sido panfletária. Me preparei arduamente, através de muita terapia, para nunca mais depender emocional ou financeiramente de ninguém. Com altos e baixos, sobrevivi às duras investidas do patriarcado e da misoginia.

No entanto, o que mais me doeu foi constatar que a autonomia não é geográfica. O patriarcado dispõe de meios muito mais insidiosos de impor suas vontades. Alugar um imóvel, pedir financiamento bancário, negociar diagnóstico e preço com um mecânico de automóveis ou com profissionais para reparos domésticos são apenas alguns exemplos das dificuldades praticamente insuperáveis que uma mulher tem de enfrentar sem a ajuda de um homem. Isso sem falar que sua imagem torna-se automaticamente a de uma libertina perigosa, eternamente pronta a seduzir os homens, expor ao ridículo as mulheres submissas e destruir a paz familiar. A forma como você passa a ser tratada por chefes e subordinados, síndicos e vizinhos e até por familiares só reforça a imagem de inconfiabilidade.

Tristemente, as conquistas femininas de emancipação que me pareciam irreversíveis lá atrás no tempo hoje deixaram de o ser. Nestes tempos bicudos, assistindo apalermada à retomada da discriminação explícita de gênero, às tentativas de proibição do aborto para crianças e adolescentes estupradas e ao aumento exponencial dos casos de feminicídio, além de projetos legislativos para abolir o direito ao voto feminino individual, só posso abençoar minha briga precoce com um pater familias.

O trabalho psicológico de conscientização das mulheres oprimidas está longe de ser completado ainda neste século. Muitas não conseguem se independentizar de seus companheiros sem colocar a própria existência e a de seus filhos em risco e outras não conseguem se livrar da dependência afetiva por terem internalizado uma imagem de insuficiência. A lição que isso nos ensina é a de que, antes de começar a lutar por autonomia, as mulheres precisam ser universalmente educadas desde crianças a aprenderem a se pertencer.

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

Fonte: brasildelonge.com

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas. (Charles Bukowski)

LUGARES

​TOLEDO - ESPANHA

Esta imagem mostra o Alcázar de Toledo, uma imponente fortaleza localizada no ponto mais alto da cidade histórica de Toledo, na Espanha. É um famoso marco medieval espanhol, muitas vezes chamado de "Cidade das Três Culturas". A estrutura situa-se a cerca de 70 km de Madri. O local é popularmente visitado em excursões de um dia saindo da capital espanhola. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

TECNOLOGIA

Estávamos instalados em Treviso.  Depois do café da manhã fomos de carro até a estação ferroviária onde deixamos a máquina e compramos os bilhetes para ir de trem para Veneza. A pessoa que nos vendeu os bilhetes foi muito atenciosa. Sabendo que éramos brasileiros nos brindou com material turístico de Treviso.

Depois de meia hora até chegamos em Veneza. Estava muito quente. A primeira providência, ainda na Estação, foi procurar o banheiro e logo veio uma dificuldade. Pagar menos de um Euro para ingressar na casinha. A catraca só abre mediante o pagamento. A máquina aceita moedas de 0,50, 0,20 e 0,10 centavos. Temos apenas moedas de 1,00 euro. Até descobrirmos que havia uma máquina auxiliar ao lado que fazia a troca da moeda de maior valor, demorou um pouco. Mas, descoberta a novidade, fizemos o câmbio e entramos sem maiores problemas.

O retorno: A Estação Ferroviária é enorme e há linhas para as mais diversas localidades. Chegamos na estação passando um pouco das 17,00 hs. e por isto perdemos o trem. Na verdade chegamos em tempo. Ocorre que é preciso validar os tickets numas maquininhas que existem por todo lugar na estação. Demoramos para validar os nossos, eis que a máquina não estava funcionando direito. Um funcionário da estação teve dificuldades para validá-los para nós. Não sei se foi isto que atrasou o nosso embarque. Acho que mesmo assim não teríamos tempo para tal. Não teve alternativa: restava esperar a próxima saída. Demoramos um pouco para identificar o nosso terminal mas por fim encontramos e embarcamos no trem que vai em direção a Udine. Para não errar, é preciso identificar o horário numas tabelas que existem afixadas no saguão. Identificado o ponto final (Udine no nosso caso), é preciso verificar se o seu destino faz parte do itinerário e então, tudo fica fácil. 

Desembarcamos em Treviso, e ali mesmo na estação compramos uns sanduíches e coca-cola para comer no hotel, pois como se sabe, não tem janta em dias de semana. Tive um pouco de dificuldades para pagar o estacionamento. Eu estava colocando o ticket do lado errado. Mas logo acertei. Como eu não sabia o valor total, coloquei uma nota de 20 euros e para minha surpresa recebi cerca de 12 euros de troco, tudo em moedas. Ou seja, todas as moedas que Lourdes tinha descartado durante o dia, retornaram com juros. Enfim, vivendo e aprendendo.

* Apontamentos de uma viagem à Itália em 2009
Nem todos os caminhos são para os caminhantes. (Goethe)

LUGARES

CAXIAS DO SUL - RS

Esta é a Igreja Matriz de Santa Lúcia do Piaí, situada no distrito de Santa Lúcia do Piaí em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. A construção da igreja atual começou com a participação ativa das famílias locais e foi inaugurada em 10 de janeiro de 1930. O acesso à parte externa é livre, enquanto o interior pode ser visitado durante missas, festas ou entrando em contato com a secretaria paroquial. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 4 de agosto de 2026

SEM PALAVRAS

Martha MedeirosMartha Medeiros

Acabo de ser apresentada ao trabalho de John Koenig, um web designer americano que lançou uma série na internet chamada Dicionário das Dores Obscuras (Dictionary of Obscure Sorrows). A intenção é nomear emoções ainda indefinidas. Qual é o nome para aquele desejo de desaparecer que nos acomete no meio de uma quinta-feira qualquer? Como se chama aquele frisson ao fazermos um ligeiro contato visual com algum desconhecido? 

Que palavra resumiria o desconforto de perceber que estamos apenas repetindo a história já vivida por tantos? E a angústia de que o tempo está passando cada vez mais rápido? A cada semana, Koenig posta belos vídeos de cerca de três minutos apresentando uma palavra inventada para conceituar tudo isso. O texto é inteligente, melancólico e comove. Como diz uma amiga minha: como é que ninguém pensou nisso antes?

O projeto é original (vale a pena dar uma olhada, está no YouTube), mas fiquei pensando: a gente precisa mesmo nomear o inominável? Me vieram à cabeça dezenas de situações que experimento e que nunca foram batizadas. Por exemplo, algo bom me deixar inexplicavelmente triste. Lembrar cenas de um passado remoto que não sei se aconteceram mesmo ou se inventei. 

Abrir meu coração e, ainda assim, parecer que estou mentindo. Ter a súbita consciência de que não faz sentido me preocupar com o que quer que seja. Não conseguir desviar os olhos do fogo. Estar numa festa e sentir como se estivesse vendo tudo aquilo de fora, como se eu não estivesse ali de verdade. Imaginar coisas terríveis acontecendo com quem mais amo, logo com eles.

Ao entrar nesse assunto, é inevitável lembrar a palavra saudade, que não existe no vocabulário de quem fala inglês. Anglo-saxões costumam sentir falta (I miss you), mas não possuem um substantivo que defina essa sensação de ausência dolorida. 

Nós possuímos e a usamos sem parcimônia. Nas redes sociais, declaramos sentir saudade de amigos, inimigos, de tudo e de todos, da última festa, do último beijo, do último churrasco, saudade de ontem e também dos velhos tempos, saudade dos outros, de nós mesmos, saudade de quem se foi para sempre e de quem viajou semana passada, saudade de sabores, de músicas, de turmas, de épocas. É tanta saudade assim? Ou o fato de termos uma palavra à mão é que invoca tamanha nostalgia?

Como escreveu Adélia Prado: a coisa mais fina do mundo é o sentimento. Ele não se presta a banalizações. Portanto, esses inúmeros insights que me ocorrem e que ocorrem também a você, sem que haja nenhuma palavra que os especifique e conceitue, talvez sejam os últimos meios de conceder algum lirismo à nossa existência. A poesia é o verdadeiro dicionário das dores obscuras.

Fonte: Zero Hora
Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa de existir. (Steve Jobs)

LUGARES

MADRID - ESPANHA

Esta imagem mostra a vista panorâmica do centro de Madrid, Espanha, vista do terraço do Palácio de Cibeles. O Palácio de Cibeles, construído em 1917, abriga atualmente a Prefeitura de Madrid. O mirante no último andar oferece vistas da Praça de Cibeles, da Gran Vía e do horizonte da cidade. É possível visitar o terraço para apreciar a vista por uma taxa de entrada. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A GRANDE MÚSICA SECRETA

Ruy Castro

Você já se emocionou com a gaita de Mauricio Einhorn e nunca soube disso. Para as nossas gravadoras, o Brasil não merece ter nem a fabulosa música que produz

O britânico Bernard Shaw (1856-1950), tão genial como dramaturgo quanto ranheta como pensador, explicou sua aversão aos instrumentos de sopro: "Eles prolongam a vida de quem os toca". Poder-se-ia perguntar como Shaw, que não tocava nenhum instrumento, conseguiu chegar aos 94 anos, se a expectativa de vida no Reino Unido, quando ele nasceu, era de menos de 40. E que bom que um instrumento de sopro —a humilde gaita de boca— tenha permitido ao carioca Mauricio Einhorn chegar em grande forma aos 93 anos para nos presentear com esse disco recém-lançado, "Mauricio and Horns", talvez a suma de sua carreira a serviço da música brasileira.

Não só dela, mas da mais secreta música brasileira. O jovem Mauricio já era um dos músicos que, nos anos 1950, cozinhavam a futura bossa nova, ao lado de Johnny Alf, Durval Ferreira e Bebeto Castilho, seus parceiros em "Estamos Aí", "Nuvens", "Tristeza de Nós Dois", "Batida Diferente", "Disa" e "Sambop", alguns dos primeiros clássicos instantâneos do gênero. Foi também um dos pilares da ponte jazz-bossa nova, que resultaria no samba-jazz.

E por que secreta? Porque você já ouviu Mauricio Einhorn em incontáveis discos de que ele participou como acompanhante de cantores brasileiros e americanos, e nunca ficou sabendo que aquelas mágicas passagens de gaita eram dele. Agora, graças ao produtor marroquino Jacques Muyal, a quem o jazz deve mais do que poderá pagar, temos um raro Mauricio em primeiro plano, gravado este ano no Rio, com um timaço a apoiá-lo: a big band de Idriss Boudrioua e os convidados Paquito d’Rivera e Lula Galvão.

Mas, como estamos no Brasil, "Mauricio & Horns", prensado na Alemanha, não sairá fisicamente aqui. Você não o encontrará nas nossas já poucas lojas. Pode ser escutado completo no Spotify, mas talvez você só esteja sendo informado disso por esta coluna. Para nossa indústria fonográfica, não merecemos ter nem a grande música que produzimos.

Só podemos produzi-la. E, como eu disse, mesmo assim em segredo.

Fonte: Folha de S.Paulo - 07/12/2025
Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos. (Anaïs Nin)

LUGARES

​ISOLA DEI PESCATORI - ITÁLIA

A imagem retrata a Isola dei Pescatori (Ilha dos Pescadores), localizada no Lago Maggiore, na Itália. Esta ilha é uma das três principais Ilhas Borromeu (Isole Borromee). É conhecida pelo seu charme pitoresco, com edifícios que remontam ao período tardo-medieval. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 2 de agosto de 2026

LIVROS

Muhammad Ali: uma Vida
Jonathan Eig

SINOPSE
Cassius Clay nasceu na segregada cidade de Louisville, no estado americano de Kentucky, filho de um pintor de placas e de uma dona de casa. Tornou-se boxeador peso-pesado com um misto de potência e velocidade, guerreiro do orgulho racial, comediante, pastor, poeta e ator. Milhões o odiaram quando adotou uma nova religião e um novo nome – Muhammad Ali –, recusando-se a lutar na Guerra do Vietnã. Nesta biografia excepcional de Jonathan Eig, baseada em extensa e inédita pesquisa, com acesso a mais de quinhentas entrevistas e milhares de páginas de documentos e gravações do FBI e do Departamento de Estado americano da década de 1960, vemos o retrato de uma das personalidades mais ilustres da segunda metade do século XX: das lutas mais famosas da história do boxe aos detalhes mais íntimos da trajetória pessoal de Ali, sua atuação política, a desastrosa vida financeira, sua fé e os momentos em que sua saúde começou a se deteriorar. Muhammad Ali foi um símbolo de liberdade e bravura, um herói para muitos; foi também um guerreiro capaz de derrotar qualquer oponente até ser finalmente nocauteado por sua própria recusa em se retirar do ringue. Muhammad Ali: Uma vida é uma história sobre raça, sobre um esporte brutal e sobre a coragem de um homem que abalou o mundo. (https://dlivros.com/livro/muhammad-ali-vida-jonathan-eig)
O homem do mundo está inteiramente na sua máscara. O que ele é não é nada, o que ele parece é tudo para ele. (Jean-Jacques Rousseau)

LUGARES

HILLEROD - DINAMARCA

Esta imagem mostra o Castelo de Frederiksborg, um impressionante palácio renascentista localizado em Hillerød, na Dinamarca. Construído no início do século XVII pelo rei Cristiano IV, o castelo é conhecido pela sua arquitetura detalhada e pelos seus extensos jardins barrocos. Atualmente, o local funciona como um museu nacional, exibindo uma vasta coleção de arte e artefatos históricos dinamarqueses. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 1 de agosto de 2026

ROMANCE FORENSE

Crime de autoria (des)conhecida

O criativo advogado Moacir Leopoldo Haeser era juiz, no final dos anos 70, na 2ª Vara Judicial da comarca de Rio Pardo (RS). Certo dia chegaram-lhe à mesa os autos de um inquérito em que o delegado local propunha o arquivamento.

O relatório referia que os policiais haviam investigado um homicídio, de autoria desconhecida. Um agricultor trintão, solteiro, boa compleição física, sem inimigos conhecidos, fora encontrado morto num potreiro.

A ocorrência fora informada por um vizinho - depois de uma cavalgada de 20 quilômetros (na época não havia celular e a telefonia convencional era, regra geral, um caos).

Rio Pardo tinha, na época, violência zero e nada indicava que o homem houvesse sido vítima de latrocínio ou vingança. Arguto, o delegado havia pedido um exame necroscópico da vítima e um levantamento minucioso fotográfico do local.

Foi convocado o melhor retratista da cidade, que na época usava uma Rolleyflex, já a meio-caminho de tornar-se obsoleta.

Quando chegaram as respostas aos quesitos e as fotografias, o delegado não teve dúvidas sobre a autoria.

É que os peritos médicos e os investigadores haviam trazido detalhes convergentes: "o exame cadavérico constatou lesões internas e no peito da vítima havia uma marca semi-circular, em formato de ferradura. Próximo dali foi encontrada uma égua pastando. E quase junto ao corpo inerte, o que fora um montinho de tijolos - todos eles espalhados num raio não maior do que 1m50".

O então juiz Haeser determinou a vista ao Ministério Público. O promotor leu, sorriu, matutou, lançou parecer concordando com o arquivamento e foi levar os autos, em mãos, ao gabinete do magistrado.

Os dois operadores do Direito afinaram no ponto: "necessidade do arquivamento, ante as circunstâncias do fato".

Mesmo porque, se fosse o caso de ser tipificado como crime, era evidente ter ocorrido “legítima defesa da honra”.

Fonte: www.espacovital.com.br
Apesar dos efeitos colaterais, o amor ainda é o melhor remédio. (Miró da Muribeca)

LUGARES

NICE - FRANÇA

Esta imagem retrata a Place Masséna, uma praça histórica localizada no centro de Nice, França. A praça é conhecida por seus edifícios de cor vermelha com janelas arqueadas e arquitetura distintiva. A área foi projetada em 1843-1844 por Joseph Vernier e é um ponto central de turismo na cidade. (Google)

FRASES ILUSTRADAS