quinta-feira, 6 de agosto de 2026

DE VOLTA AO FUTURO

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Aos 12 anos, tive uma briga muito séria com meu pai, não me lembro mais por qual motivo. Em meio às acusações mútuas de desrespeito, olhei desafiadoramente para ele e gritei: não suporto mais viver nesta casa, vou pegar minhas coisas e vou embora pra nunca mais voltar.

Friamente, ele respondeu: “A porta da rua é serventia da casa. Pode ir, mas preste atenção: só leve com você aquilo que for seu. Não leve nada que tenha sido comprado com meu dinheiro”.

Humilhada, fui para meu quarto, pensando em arrumar a mala e fugir ainda naquela madrugada. Quando a retirei do armário, não foi preciso muito esforço mental para me dar conta de que a mala não me pertencia. Tentando me acalmar, disse para mim mesma, com desdém: não tem problema, jogo minhas coisas num lençol, amarro tudo numa trouxa e carrego no ombro. Poucos segundos se passaram para de novo constatar o óbvio: o lençol também não era meu, muito menos minhas roupas e sapatos, ou quaisquer outros pertences. Aos poucos, uma verdade aterradora emergiu na minha consciência: nem eu mesma me pertencia.

Ainda tentando espantar o pânico, respirei fundo e me imaginei saindo à rua totalmente nua, com as mãos abanando. Mas o medo e a vergonha falavam mais alto: para onde eu iria, onde dormiria, onde tomaria banho, como comeria, se não carregava comigo nem um mísero centavo? Minha determinação de ir embora de qualquer jeito começou a esmorecer.

Uma vez esgotadas todas as possibilidades, tomei uma decisão. Voltei ao quarto dos meus pais e, reunindo toda a empáfia que me era possível então, declarei solenemente (não com essas palavras, é claro): de hoje em diante, meu único propósito na vida vai ser me tornar independente financeiramente. Quando esse dia chegar, vou-me embora para sempre, sem olhar para trás.

O que mudou dentro de mim a partir daquele dia foi o próprio conceito de autoridade. Naquele momento entendi que, quando se troca o diálogo e a persuasão amigável pela força ou impossibilidade de negociação, não se está mais lidando com autoridade, mas sim com autoritarismo. Autoritarismo passou a ser, para mim, evidência de autoridade incompetente e impotente – por não saber como se fazer respeitar, ela precisa se valer das armas da opressão, do silenciamento do outro, da invalidação de toda forma de divergência.

Jurei a mim mesma que nunca mais me subordinaria aos desmandos de outra pessoa, fosse ela quem fosse. Foram precisos outros 12 anos para que minha promessa se concretizasse: aos 24 anos, já formada e empregada numa grande empresa, consegui enfim honrar minha palavra. Embora minha libertação do jugo paterno tenha representado um imenso alívio, muitas e muitas vezes eu me senti acossada por sentimentos de culpa e desamparo.

Obedecer sem contestação às regras determinadas por outrem nunca foi um princípio aceitável na minha cabeça. Resignar-me a um destino não escolhido por mim menos ainda. As normas de gênero daquela época – casar, ter filhos e cuidar de uma casa – também me pareciam draconianas e insensatas. Construir um futuro com minhas próprias mãos era meu único sonho substituto.

Como tudo o mais na vida, o tempo se encarregou de cicatrizar as feridas. A sensação boa de ser dona do meu próprio nariz me transformou numa espécie de feminista avant la lettre, ainda que jamais tenha sido panfletária. Me preparei arduamente, através de muita terapia, para nunca mais depender emocional ou financeiramente de ninguém. Com altos e baixos, sobrevivi às duras investidas do patriarcado e da misoginia.

No entanto, o que mais me doeu foi constatar que a autonomia não é geográfica. O patriarcado dispõe de meios muito mais insidiosos de impor suas vontades. Alugar um imóvel, pedir financiamento bancário, negociar diagnóstico e preço com um mecânico de automóveis ou com profissionais para reparos domésticos são apenas alguns exemplos das dificuldades praticamente insuperáveis que uma mulher tem de enfrentar sem a ajuda de um homem. Isso sem falar que sua imagem torna-se automaticamente a de uma libertina perigosa, eternamente pronta a seduzir os homens, expor ao ridículo as mulheres submissas e destruir a paz familiar. A forma como você passa a ser tratada por chefes e subordinados, síndicos e vizinhos e até por familiares só reforça a imagem de inconfiabilidade.

Tristemente, as conquistas femininas de emancipação que me pareciam irreversíveis lá atrás no tempo hoje deixaram de o ser. Nestes tempos bicudos, assistindo apalermada à retomada da discriminação explícita de gênero, às tentativas de proibição do aborto para crianças e adolescentes estupradas e ao aumento exponencial dos casos de feminicídio, além de projetos legislativos para abolir o direito ao voto feminino individual, só posso abençoar minha briga precoce com um pater familias.

O trabalho psicológico de conscientização das mulheres oprimidas está longe de ser completado ainda neste século. Muitas não conseguem se independentizar de seus companheiros sem colocar a própria existência e a de seus filhos em risco e outras não conseguem se livrar da dependência afetiva por terem internalizado uma imagem de insuficiência. A lição que isso nos ensina é a de que, antes de começar a lutar por autonomia, as mulheres precisam ser universalmente educadas desde crianças a aprenderem a se pertencer.

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

Fonte: brasildelonge.com

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas. (Charles Bukowski)

LUGARES

​TOLEDO - ESPANHA

Esta imagem mostra o Alcázar de Toledo, uma imponente fortaleza localizada no ponto mais alto da cidade histórica de Toledo, na Espanha. É um famoso marco medieval espanhol, muitas vezes chamado de "Cidade das Três Culturas". A estrutura situa-se a cerca de 70 km de Madri. O local é popularmente visitado em excursões de um dia saindo da capital espanhola. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

TECNOLOGIA

Estávamos instalados em Treviso.  Depois do café da manhã fomos de carro até a estação ferroviária onde deixamos a máquina e compramos os bilhetes para ir de trem para Veneza. A pessoa que nos vendeu os bilhetes foi muito atenciosa. Sabendo que éramos brasileiros nos brindou com material turístico de Treviso.

Depois de meia hora até chegamos em Veneza. Estava muito quente. A primeira providência, ainda na Estação, foi procurar o banheiro e logo veio uma dificuldade. Pagar menos de um Euro para ingressar na casinha. A catraca só abre mediante o pagamento. A máquina aceita moedas de 0,50, 0,20 e 0,10 centavos. Temos apenas moedas de 1,00 euro. Até descobrirmos que havia uma máquina auxiliar ao lado que fazia a troca da moeda de maior valor, demorou um pouco. Mas, descoberta a novidade, fizemos o câmbio e entramos sem maiores problemas.

O retorno: A Estação Ferroviária é enorme e há linhas para as mais diversas localidades. Chegamos na estação passando um pouco das 17,00 hs. e por isto perdemos o trem. Na verdade chegamos em tempo. Ocorre que é preciso validar os tickets numas maquininhas que existem por todo lugar na estação. Demoramos para validar os nossos, eis que a máquina não estava funcionando direito. Um funcionário da estação teve dificuldades para validá-los para nós. Não sei se foi isto que atrasou o nosso embarque. Acho que mesmo assim não teríamos tempo para tal. Não teve alternativa: restava esperar a próxima saída. Demoramos um pouco para identificar o nosso terminal mas por fim encontramos e embarcamos no trem que vai em direção a Udine. Para não errar, é preciso identificar o horário numas tabelas que existem afixadas no saguão. Identificado o ponto final (Udine no nosso caso), é preciso verificar se o seu destino faz parte do itinerário e então, tudo fica fácil. 

Desembarcamos em Treviso, e ali mesmo na estação compramos uns sanduíches e coca-cola para comer no hotel, pois como se sabe, não tem janta em dias de semana. Tive um pouco de dificuldades para pagar o estacionamento. Eu estava colocando o ticket do lado errado. Mas logo acertei. Como eu não sabia o valor total, coloquei uma nota de 20 euros e para minha surpresa recebi cerca de 12 euros de troco, tudo em moedas. Ou seja, todas as moedas que Lourdes tinha descartado durante o dia, retornaram com juros. Enfim, vivendo e aprendendo.

* Apontamentos de uma viagem à Itália em 2009
Nem todos os caminhos são para os caminhantes. (Goethe)

LUGARES

CAXIAS DO SUL - RS

Esta é a Igreja Matriz de Santa Lúcia do Piaí, situada no distrito de Santa Lúcia do Piaí em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. A construção da igreja atual começou com a participação ativa das famílias locais e foi inaugurada em 10 de janeiro de 1930. O acesso à parte externa é livre, enquanto o interior pode ser visitado durante missas, festas ou entrando em contato com a secretaria paroquial. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 4 de agosto de 2026

SEM PALAVRAS

Martha MedeirosMartha Medeiros

Acabo de ser apresentada ao trabalho de John Koenig, um web designer americano que lançou uma série na internet chamada Dicionário das Dores Obscuras (Dictionary of Obscure Sorrows). A intenção é nomear emoções ainda indefinidas. Qual é o nome para aquele desejo de desaparecer que nos acomete no meio de uma quinta-feira qualquer? Como se chama aquele frisson ao fazermos um ligeiro contato visual com algum desconhecido? 

Que palavra resumiria o desconforto de perceber que estamos apenas repetindo a história já vivida por tantos? E a angústia de que o tempo está passando cada vez mais rápido? A cada semana, Koenig posta belos vídeos de cerca de três minutos apresentando uma palavra inventada para conceituar tudo isso. O texto é inteligente, melancólico e comove. Como diz uma amiga minha: como é que ninguém pensou nisso antes?

O projeto é original (vale a pena dar uma olhada, está no YouTube), mas fiquei pensando: a gente precisa mesmo nomear o inominável? Me vieram à cabeça dezenas de situações que experimento e que nunca foram batizadas. Por exemplo, algo bom me deixar inexplicavelmente triste. Lembrar cenas de um passado remoto que não sei se aconteceram mesmo ou se inventei. 

Abrir meu coração e, ainda assim, parecer que estou mentindo. Ter a súbita consciência de que não faz sentido me preocupar com o que quer que seja. Não conseguir desviar os olhos do fogo. Estar numa festa e sentir como se estivesse vendo tudo aquilo de fora, como se eu não estivesse ali de verdade. Imaginar coisas terríveis acontecendo com quem mais amo, logo com eles.

Ao entrar nesse assunto, é inevitável lembrar a palavra saudade, que não existe no vocabulário de quem fala inglês. Anglo-saxões costumam sentir falta (I miss you), mas não possuem um substantivo que defina essa sensação de ausência dolorida. 

Nós possuímos e a usamos sem parcimônia. Nas redes sociais, declaramos sentir saudade de amigos, inimigos, de tudo e de todos, da última festa, do último beijo, do último churrasco, saudade de ontem e também dos velhos tempos, saudade dos outros, de nós mesmos, saudade de quem se foi para sempre e de quem viajou semana passada, saudade de sabores, de músicas, de turmas, de épocas. É tanta saudade assim? Ou o fato de termos uma palavra à mão é que invoca tamanha nostalgia?

Como escreveu Adélia Prado: a coisa mais fina do mundo é o sentimento. Ele não se presta a banalizações. Portanto, esses inúmeros insights que me ocorrem e que ocorrem também a você, sem que haja nenhuma palavra que os especifique e conceitue, talvez sejam os últimos meios de conceder algum lirismo à nossa existência. A poesia é o verdadeiro dicionário das dores obscuras.

Fonte: Zero Hora
Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa de existir. (Steve Jobs)

LUGARES

MADRID - ESPANHA

Esta imagem mostra a vista panorâmica do centro de Madrid, Espanha, vista do terraço do Palácio de Cibeles. O Palácio de Cibeles, construído em 1917, abriga atualmente a Prefeitura de Madrid. O mirante no último andar oferece vistas da Praça de Cibeles, da Gran Vía e do horizonte da cidade. É possível visitar o terraço para apreciar a vista por uma taxa de entrada. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A GRANDE MÚSICA SECRETA

Ruy Castro

Você já se emocionou com a gaita de Mauricio Einhorn e nunca soube disso. Para as nossas gravadoras, o Brasil não merece ter nem a fabulosa música que produz

O britânico Bernard Shaw (1856-1950), tão genial como dramaturgo quanto ranheta como pensador, explicou sua aversão aos instrumentos de sopro: "Eles prolongam a vida de quem os toca". Poder-se-ia perguntar como Shaw, que não tocava nenhum instrumento, conseguiu chegar aos 94 anos, se a expectativa de vida no Reino Unido, quando ele nasceu, era de menos de 40. E que bom que um instrumento de sopro —a humilde gaita de boca— tenha permitido ao carioca Mauricio Einhorn chegar em grande forma aos 93 anos para nos presentear com esse disco recém-lançado, "Mauricio and Horns", talvez a suma de sua carreira a serviço da música brasileira.

Não só dela, mas da mais secreta música brasileira. O jovem Mauricio já era um dos músicos que, nos anos 1950, cozinhavam a futura bossa nova, ao lado de Johnny Alf, Durval Ferreira e Bebeto Castilho, seus parceiros em "Estamos Aí", "Nuvens", "Tristeza de Nós Dois", "Batida Diferente", "Disa" e "Sambop", alguns dos primeiros clássicos instantâneos do gênero. Foi também um dos pilares da ponte jazz-bossa nova, que resultaria no samba-jazz.

E por que secreta? Porque você já ouviu Mauricio Einhorn em incontáveis discos de que ele participou como acompanhante de cantores brasileiros e americanos, e nunca ficou sabendo que aquelas mágicas passagens de gaita eram dele. Agora, graças ao produtor marroquino Jacques Muyal, a quem o jazz deve mais do que poderá pagar, temos um raro Mauricio em primeiro plano, gravado este ano no Rio, com um timaço a apoiá-lo: a big band de Idriss Boudrioua e os convidados Paquito d’Rivera e Lula Galvão.

Mas, como estamos no Brasil, "Mauricio & Horns", prensado na Alemanha, não sairá fisicamente aqui. Você não o encontrará nas nossas já poucas lojas. Pode ser escutado completo no Spotify, mas talvez você só esteja sendo informado disso por esta coluna. Para nossa indústria fonográfica, não merecemos ter nem a grande música que produzimos.

Só podemos produzi-la. E, como eu disse, mesmo assim em segredo.

Fonte: Folha de S.Paulo - 07/12/2025
Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos. (Anaïs Nin)

LUGARES

​ISOLA DEI PESCATORI - ITÁLIA

A imagem retrata a Isola dei Pescatori (Ilha dos Pescadores), localizada no Lago Maggiore, na Itália. Esta ilha é uma das três principais Ilhas Borromeu (Isole Borromee). É conhecida pelo seu charme pitoresco, com edifícios que remontam ao período tardo-medieval. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 2 de agosto de 2026

LIVROS

Muhammad Ali: uma Vida
Jonathan Eig

SINOPSE
Cassius Clay nasceu na segregada cidade de Louisville, no estado americano de Kentucky, filho de um pintor de placas e de uma dona de casa. Tornou-se boxeador peso-pesado com um misto de potência e velocidade, guerreiro do orgulho racial, comediante, pastor, poeta e ator. Milhões o odiaram quando adotou uma nova religião e um novo nome – Muhammad Ali –, recusando-se a lutar na Guerra do Vietnã. Nesta biografia excepcional de Jonathan Eig, baseada em extensa e inédita pesquisa, com acesso a mais de quinhentas entrevistas e milhares de páginas de documentos e gravações do FBI e do Departamento de Estado americano da década de 1960, vemos o retrato de uma das personalidades mais ilustres da segunda metade do século XX: das lutas mais famosas da história do boxe aos detalhes mais íntimos da trajetória pessoal de Ali, sua atuação política, a desastrosa vida financeira, sua fé e os momentos em que sua saúde começou a se deteriorar. Muhammad Ali foi um símbolo de liberdade e bravura, um herói para muitos; foi também um guerreiro capaz de derrotar qualquer oponente até ser finalmente nocauteado por sua própria recusa em se retirar do ringue. Muhammad Ali: Uma vida é uma história sobre raça, sobre um esporte brutal e sobre a coragem de um homem que abalou o mundo. (https://dlivros.com/livro/muhammad-ali-vida-jonathan-eig)
O homem do mundo está inteiramente na sua máscara. O que ele é não é nada, o que ele parece é tudo para ele. (Jean-Jacques Rousseau)

LUGARES

HILLEROD - DINAMARCA

Esta imagem mostra o Castelo de Frederiksborg, um impressionante palácio renascentista localizado em Hillerød, na Dinamarca. Construído no início do século XVII pelo rei Cristiano IV, o castelo é conhecido pela sua arquitetura detalhada e pelos seus extensos jardins barrocos. Atualmente, o local funciona como um museu nacional, exibindo uma vasta coleção de arte e artefatos históricos dinamarqueses. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 1 de agosto de 2026

ROMANCE FORENSE

Crime de autoria (des)conhecida

O criativo advogado Moacir Leopoldo Haeser era juiz, no final dos anos 70, na 2ª Vara Judicial da comarca de Rio Pardo (RS). Certo dia chegaram-lhe à mesa os autos de um inquérito em que o delegado local propunha o arquivamento.

O relatório referia que os policiais haviam investigado um homicídio, de autoria desconhecida. Um agricultor trintão, solteiro, boa compleição física, sem inimigos conhecidos, fora encontrado morto num potreiro.

A ocorrência fora informada por um vizinho - depois de uma cavalgada de 20 quilômetros (na época não havia celular e a telefonia convencional era, regra geral, um caos).

Rio Pardo tinha, na época, violência zero e nada indicava que o homem houvesse sido vítima de latrocínio ou vingança. Arguto, o delegado havia pedido um exame necroscópico da vítima e um levantamento minucioso fotográfico do local.

Foi convocado o melhor retratista da cidade, que na época usava uma Rolleyflex, já a meio-caminho de tornar-se obsoleta.

Quando chegaram as respostas aos quesitos e as fotografias, o delegado não teve dúvidas sobre a autoria.

É que os peritos médicos e os investigadores haviam trazido detalhes convergentes: "o exame cadavérico constatou lesões internas e no peito da vítima havia uma marca semi-circular, em formato de ferradura. Próximo dali foi encontrada uma égua pastando. E quase junto ao corpo inerte, o que fora um montinho de tijolos - todos eles espalhados num raio não maior do que 1m50".

O então juiz Haeser determinou a vista ao Ministério Público. O promotor leu, sorriu, matutou, lançou parecer concordando com o arquivamento e foi levar os autos, em mãos, ao gabinete do magistrado.

Os dois operadores do Direito afinaram no ponto: "necessidade do arquivamento, ante as circunstâncias do fato".

Mesmo porque, se fosse o caso de ser tipificado como crime, era evidente ter ocorrido “legítima defesa da honra”.

Fonte: www.espacovital.com.br
Apesar dos efeitos colaterais, o amor ainda é o melhor remédio. (Miró da Muribeca)

LUGARES

NICE - FRANÇA

Esta imagem retrata a Place Masséna, uma praça histórica localizada no centro de Nice, França. A praça é conhecida por seus edifícios de cor vermelha com janelas arqueadas e arquitetura distintiva. A área foi projetada em 1843-1844 por Joseph Vernier e é um ponto central de turismo na cidade. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 30 de julho de 2026

INTERNET, A REGULAÇÃO NECESSÁRIA

José Horta Manzano

O primeiro automóvel que chegou à cidade de São Paulo foi um Peugeot trazido de Paris por navio em 1891. Era propriedade da família de Alberto Santos-Dumont, o aviador. Há registro de o carro ter sido visto em 1893 dando uma volta pela Rua Direita, hoje via pedestre, mas então logradouro muito concorrido da capital.

Outros “vehiculos automoveis” (hoje diríamos veículos automotores) foram importados nos anos seguintes e engrossaram a circulação da cidade. Nos primeiros anos, um carro que se movia sozinho era novidade absoluta, daí a total ausência de infraestrutura pronta a receber a raridade. Os carros não eram emplacados, não havia sinais de tráfego, o pavimento das ruas não estava preparado para o molejos delicados, não havia CNH.

Com o tempo, foi aparecendo a regulação: placas de identificação do veículo, autorização de conduzir a geringonça, indicação da mão de direção em ruas apertadas, placas que davam prioridade. Não veio tudo duma vez. Foram necessários anos até que a circulação automotora entrasse na paisagem urbana.

A cada vez que uma novidade entra em nossas vidas, o caminho é o mesmo. Primeiro, a surpresa, quando a novidade se agita feito potro assustado que nâo sabe aonde vai. Em seguida, as coisas vão se assentando e a regulação, aos poucos vem chegando.

A internet e suas aplicações, como as redes sociais, não fogem a essa regra. Essas redes, surgidas há anos, foram sendo deixadas soltas e à vontade, sem regras claras que não fossem reclamações e clamores sem amanhã. Alastraram-se e criaram tanta raíz, que muitos Estados têm hesitado em intervir no sentido de impedir que crianças e adolescentes sejam arrebanhados por grupos mal intencionados ou por suas ideias.

Com a lei que obriga plataformas a verificar a idade e a ligar obrigatoriamente os contas dos menores de 16 anos à de seus pais, o Brasil entrou para o seleto grupo de países que já legislaram na matéria. Faz companhia à Austrália, à Malásia, à Indonésia e à China. Outros países têm projetos, uns mais adiantados, outros menos, que visam ao mesmo objetivo.

Esta semana foi a vez da França, o primeiro europeu a legislar sobre a matéria. Esta semana, o parlamento aprovou a lei que visa “a proteger os menores dos riscos representados pelas redes sociais”. O artigo principal proíbe acesso às redes sociais aos menores de 15 anos. Era um projeto para cuja aprovação o presidente Macron tinha se empenhado pessoalmente. A França espera e acredita que foi dado um empurrão à aprovação, por outros países da UE, de legislação semelhante.

O banimento não inclui o acesso a enciclopédias online do tipo Wikipédia ou outras plataformas educativas. O texto de lei não impõe nenhum método de verificação da idade, deixando às plataformas como Facebook ou TikTok a tarefa de definir o método. A lei deve entrar em vigor a partir de setembro próximo, que é o mês da volta às aulas na França.

Na minha opinião a lei francesa era necessária. Efebos ainda não têm a maturidade necessária para mergulhar na insociabilidade das redes “sociais”.

Fonte: https://brasildelonge.com
O futuro não é o que se teme, é o que se ousa. (Carlos Lacerda, político)

LUGARES

​BREUIL-CERVINIA - ITÁLIA

Esta imagem retrata o Monte Cervino (também conhecido como Matterhorn), uma famosa montanha nos Alpes na fronteira entre a Itália e a Suíça. A foto foi tirada do lado italiano, especificamente da vila de Breuil-Cervinia, um popular destino de esqui e turismo no Valle d'Aosta. A montanha é conhecida por sua forma de pirâmide distinta e foi a inspiração para o formato do chocolate Toblerone. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NO RASTRO DAS FREIRAS

Não sei exatamente quantas horas dormimos, mas com certeza foi uma noite agradável — se é que dá para dizer que uma noite num avião possa ser algo agradável. Na fileira ao lado da nossa, viajaram duas religiosas, assim identificadas pelas vestes características. De manhã, depois do café, minha esposa observou que uma drlas retirou, de uma valise de mão, um grande frasco de creme hidratante. Elas utilizaram o creme para as mãos, e daí veio o comentário acerca de como tinham conseguido passar com frascos contendo material líquido, se tal era proibido. Aventei que o hábito que vestiam podia ser o álibi perfeito para que não fossem revistadas.

Chegamos a Milão por volta das 13 horas, no horário local. São cinco horas de diferença em razão do fuso horário e do horário de verão. A primeira etapa foi passar pela imigração. No local apropriado, formaram-se várias filas e, de imediato, percebemos que o fluxo estava demorando mais do que o normal. Logo notamos que mulheres que viajavam sozinhas ficavam mais tempo no guichê, onde se percebia que respondiam a várias perguntas. Notei que as freiras, já hidratadas, estavam numa fila ao lado da nossa. Eureka! Mudamos para a fila delas, pois não seria crível que, na sua condição, fossem submetidas ao mesmo interrogatório daquelas, digamos, suspeitas. Dito e feito: foi tudo muito rápido. (01/08/2009)

O descontentamento é o passo na evolução de um homem ou de uma nação. (Oscar Wilde)

LUGARES

PARIS - FRANÇA​

Esta imagem captura a icônica Catedral de Notre-Dame situada na Île de la Cité, em Paris. A foto mostra a vista leste da catedral a partir do rio Sena em um dia ensolarado. Em destaque estão as margens do rio Sena e a arquitetura clássica parisiense adjacente à ilha. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

terça-feira, 28 de julho de 2026

GINA

Fabrício Carpinejar
Fabrício Carpinejar 

Não se estarei casado ou solteiro na próxima semana, não sei onde estarei morando no próximo ano, não sei se ligarei a máquina de lavar e de secar direto do celular, não sei se me apaixonarei pela voz do computador, não sei o que me espera.

Os tempos são rápidos e provisórios.

O que me acalma diante da enxurrada de notícias, aplicativos solicitando atualização e links abertos é comprar no supermercado um caixinha de palitos Gina e um pacote de Pastelina.

São as únicas embalagens que permanecem iguais desde a minha infância.

Gina e Pastelina não mudaram. Algo não mudou no mundo. Algo segue intocável há quatro décadas.

É como uma casa que não foi destruída no bairro em que nasci.

É como um brinquedo embalado e jamais usado.

Gina e Pastelina são objetos de colecionador que tenho o direito de adquirir semanalmente.

Recordo do tempo em que íamos toda a família para a churrascaria Barranco, e que os palitos serviam para brincar com os meus primos. Quebrávamos cinco Ginas ao meio, juntávamos suas pontas e derramávamos uma gota de água no centro em comum das varetas. Incrivelmente, a madeira absorvia o líquido e começava a inchar. Os palitinhos cada vez mais abertos formavam uma estrela pulsando, uma estrela se agigantando, uma estrela engolindo a mesa.

Só com o cheiro da Pastelina, sou levado de volta para a alegria do intervalo da escola. Equilibrando um copo de guaraná e o pacotinho de massa frita, sentava no terceiro banco de pedra do pátio, meu camarote imutável para assistir as meninas jogando vôlei.

Gina e Pastelina me proíbem de envelhecer. Gritam “estátua” para mim e não me mexo.

É melhor do que chá de melissa: desaparece a enxaqueca, refaz a minha linha de tempo do Facebook, acaba com bloqueio criativo.

Gina e Pastelina resistiram aos layouts modernos, à ânsia de consumismo, às tentativas de se mostrar diferente por fora e apenas por fora.

Desconheço quem inspirou o logotipo da Pastelina. Tampouco muda a minha admiração ter consciência de que a modelo dos artefatos de madeira foi a polonesa Zofia Burk, que depois não conseguiu mais emplacar nenhuma campanha.

Ela será sempre a rainha da minha cozinha: dona de casa feliz e radiante, com seu cabelo de penico dos anos 70, o olhar roubado de Jesus Cristo, a dentição de quem nunca conheceu uma cárie.

Ele será sempre o rei do meu eterno recreio: o feiticeiro narigudo, de fraque, gravata borboleta e cartola, que somente entregará a receita da Pastelina se a Coca-Cola mostrar a sua.

Fonte: carpinejar.blogspot.com.br
Ler é vagar por dentro de outra pessoa, experimentar o que é ser o outro, e até nos tornarmos o outro, naquele momento. (Ana Miranda)

LUGARES

COURMAYEUR​ - ITÁLIA

Esta imagem mostra o Liceu Linguístico de Courmayeur, uma escola localizada em Aosta, Itália. O edifício apresenta arquitetura alpina tradicional com paredes de pedra e telhados de ardósia. A escola está situada no centro da cidade, uma área conhecida por seu estilo medieval e ruas comerciais como a Via Roma. Ao fundo, é possível avistar o Monte Bianco, a montanha mais alta da Europa Ocidental.  (Google)

FRASES ILUSTRADAS

segunda-feira, 27 de julho de 2026

ENEA!

Ruy Castro

O Flamengo de 2025 foi o melhor em tudo. E asterisco é a avozinha. Eneacampeão quer dizer campeão nove vezes, todas conquistadas em campo

Enea. Nome lindo, não? Não conhecia. Nasceu do grego "enneas", nove —o número 9. Dele derivou Eneias, herói troiano da "Eneida", de Virgilio, e, por associação, nomeando também bravura, vitória, liderança. Tudo a ver com o Flamengo de 2025, eneacampeão brasileiro, primeiríssimo em nove enormes exigências: mais vitórias, menos derrotas, mais gols pró, menos contra, melhor do turno, melhor do returno, mandante mortal, visitante idem e com o craque do campeonato —mesmo com jogadores insones pela conquista, quatro dias antes, do tetra da Libertadores. E asterisco é a avozinha.

É um enea a ser gravado com orgulho na taça, antes que tentem de novo reduzi-lo a octo, alegando a decisão legaloide que atribuiu o título de 1987 a um expoente da 2ª divisão. Octo, o Flamengo foi em 2020, por já ter vencido em 1980, 82, 83, 87 (sim!), 92, 2009 e 19. E o enea de 2025 faz jus a mais uma tradição rubro-negra: foi conquistado em campo, como os oito anteriores. Como observou Mauro Cezar Pereira, meu colega do UOL, nenhum deles pelo fax ou no tribunal.

Mauro Cezar vai além. O título de 1987, afrontando as instâncias esportivas, foi dado por um truculento ministro do STF ao vencedor de um campeonato disputado por Sport, Joinville, Náutico, Ceará, CSA, Inter de Limeira, Rio Branco do Espírito Santo, Bangu, Portuguesa, Athletico Paranaense, Atlético Goianiense, Vitória, Guarani, América, Criciúma e Treze da Paraíba. Com todo o respeito a esses clubes, o que o Flamengo venceu tinha Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Bahia, Coritiba, Goiás, Santa Cruz, Internacional, Grêmio, Fluminense, Vasco e Botafogo.

O Flamengo de 1987 entrava em campo com Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Aldair e Leonardo; Andrade, Ailton e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Dos 11, 10 chegaram à seleção brasileira. Cinco seriam tetracampeões mundiais: Jorginho, Aldair, Leonardo, Bebeto e Zinho. O que tinham a fazer na 2ª divisão?

Perdão, amigos, mas é enea —véspera do deca.

Fonte: Folha de S.Paulo - 06/12/25
Nenhum homem está isento de dizer asneiras. O problema é quando essas asneiras são ditas a sério. (Montaigne)

LUGARES

LIUBLIANA - ESLOVÊNIA

Esta é uma vista do Rio Ljubljanica no centro histórico de Liubliana, a capital da Eslovênia. A área é conhecida por seus cafés à beira do rio, edifícios históricos e pontes charmosas. O local está próximo a pontos turísticos como a Ponte Tripla e a praça principal. A cidade é famosa por seu centro histórico ser predominantemente para pedestres. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

domingo, 26 de julho de 2026

LIVROS


CRIMEIA
Orlando Figes
923 Páginas

SINOPSE
O novo livro do historiador inglês Orlando Figes, que reinventa a extraordinária guerra da Crimeia, que foi travada com uma terrível mistura de ferocidade e incompetência. O terrível conflito que dominou a metade do século XIX, matou pelo menos 800 mil homens e colocou a Rússia contra uma coalizão formidável da Grã-Bretanha, França e do Império Otomano. Uma guerra por território e religião, impulsionada por uma crença fervorosa, populista e cada vez mais feroz do czar e seus ministros de que era tarefa da Rússia governar todos os cristãos ortodoxos e controlar a Terra Santa. Com base em uma enorme variedade de fontes fascinantes, Figes dá a experiência vivida da guerra, desde a do soldado britânico comum em sua trincheira cheia de neve, até a figura sombria do próprio czar Nicolau em sua busca pela salvação religiosa. (https://dlivros.com/livro/crimeia-orlando-figes)
Os loucos às vezes se curam, os imbecis nunca. (Oscar Wilde)

LUGARES

TREVISO - ITÁLIA​

Esta imagem mostra a Piazza dei Signori em Treviso, Itália, uma praça histórica conhecida por seus palácios medievais. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

sábado, 25 de julho de 2026

ROMANCE FORENSE

O ASSASSINATO DO COMPUTADOR

O advogado septuagenário, inconformado com a demora em um inquérito policial que acompanhava em nome de clientes, deu seis tiros no computador de uma delegacia de pequena cidade do Estado do Pará. O profissional foi preso em flagrante, por danos ao patrimônio público e por colocar em risco a vida de terceiros.

O delegado escutou a alaúza e firmemente questionou o advogado:"tá louco, doutor?"

- Matei o computador porque ele não estava me respeitando. Não tive outra saída. Com sua inércia e a omissão, essa ´josca´ estava trabalhando para os bandidos - explicou-se o advogado que, mesmo assim, foi preso.

Recolhido ao quartel da Polícia Militar na capital (Belém), o advogado recuperou a liberdade dois dias depois, graças a uma liminar. Formado o inquérito, depois em Juízo, foi ouvida uma testemunha presencial.

- O doutor chegou na delegacia e insistiu para que fosse apressado um inquérito que apura a invasão de um condomínio de evangélicos. Respondi que não poderia agilizar, porque nosso único computador estava estragado e o conserto ainda não fora autorizado pela Secretaria da Segurança - contou o escrivão de polícia.

O policial prosseguiu:

- Depois de alguns palavrões contra Bill Gates, o advogado atirou várias vezes no monitor e reservou a sexta e última bala justamente para o computador, que estava em cima da minha mesa - complementou o agente.

Em transação penal, o advogado concordou em pagar cestas básicas e em ressarcir o Estado, a quem entregou um computador e um monitor de primeira geração - espécimes do que tinha de melhor qualidade na única loja de equipamentos de informática da cidade. Foi designada audiência para a formalização dos atos.

Após as formalidades, o juiz consolou o causídico:

- As cestas básicas vão aplacar necessidades de pessoas humildes. E o novo computador vai permitir que suas solicitações sejam atendidas com mais presteza na delegacia - comentou o magistrado.

O advogado firmou a ata da audiência, engoliu em seco, deu boa tarde, retirou-se etc. E nunca mais foi visto na comarca.

Fonte: www.espacovital.com.br
Dar um novo passo, dizer uma nova palavra, é o que as pessoas mais temem. (Dostoiévski)

LUGARES

​PASSAU - ALEMANHA

A imagem mostra a Schaiblingsturm, uma torre histórica com um telhado cônico vermelho situada às margens do rio Inn em Passau, Alemanha. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

sexta-feira, 24 de julho de 2026

ERNIE HASSE & SIGNATURE SOUD

 OH! SUSANNA

A primeira fase do saber é amar os nossos professores. (Erasmo de Roterdã, teólogo e filósofo holandês)

LUGARES

PARIS - FRANÇA​

Esta foto foi tirada na Place des Vosges em Paris, França. [1]É uma das praças mais antigas e bonitas de Paris, inaugurada em 1612. A praça é famosa pelos seus edifícios de tijolos vermelhos e pedra clara. O escritor Victor Hugo morou em uma das casas na praça, que hoje é um museu gratuito. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A DECADÊNCIA DAS LOURAS

Carlos Heitor Cony

Não tenho nem pretendo ter procuração das louras para defendê-las das acusações de burrice e cafonice, que estão se avolumando nos últimos tempos contra elas. Leio num jornal que as louras não estão com nada, nem no cinema, na TV, nem na vida em geral. As deusas de alguns anos atrás estão com dificuldade para renovar contrato e já não causam gritos e sussurros por onde passam.

Pior: uma caçadora de talentos, dessas que dão dicas para empregos de futuro, recomenda que as pretendentes façam as unhas, usem vestidos comportados, falem só o essencial mas em hipótese alguma sejam louras, nem naturais nem artificiais.

"O quê que é isso?" - era o bordão de famoso locutor esportivo do passado, quando via jogadas violentas que mereciam cartão vermelho. É o que me pergunto: "O quê que é isso?" Onde está a lei que pune a discriminação, seja a discriminação que for?

Não aceito a teoria de que a onda contra as louras possa ser atribuída ao despeito, à inveja. O furo deve ser mais em cima. O que há de morena burra também não é mole.

Quanto à beleza em si, há gosto para tudo. Helena de Tróia, segundo a tradição, é a mulher mais bonita da história e da lenda. Segundo a tradição, era loura, diferenciando-se de outras mulheres do Mediterrâneo que costumam ser morenas.

E a mulher mais inteligente que conheci era loura, uma loura até suspeita, parecia artificial, no detestável estilo de "amarelo ovo". Não chegava a ser feia mas não era bonita, embora não merecesse ser jogada fora.

Herdei de meu pai um ditado esquisito: "Fugir de gato que faz him e de mulher que sabe latim". Esta loura não sabia latim mas sabia tudo da vida e o pouco que me ensinou foi o bastante. Se não cheguei lá, a culpa não foi dela.

Fonte: Folha de S.Paulo - 28/09/2004
Por mais cuidado que se tenha, educar é podar: deixar crescer com toda a força o ramo que nos agrada. (Agostinho da Silva, filósofo português)

LUGARES

​MANDRIOLE - ITÁLIA

Este é a Fattoria Guiccioli, um local histórico localizado em Mandriole, próximo a Ravenna, na Itália. O edifício é famoso por ser o lugar onde Anita Garibaldi faleceu em 4 de agosto de 1849. Hoje funciona como um museu dedicado à memória de Anita Garibaldi, onde visitantes podem ver o quarto e a cama onde ela morreu. O local é um ponto de parada importante na rota histórica do "Risorgimento" italiano. (Google)

FRASES ILUSTRADAS

quarta-feira, 22 de julho de 2026

VASECTOMIA

Conheci a mãe do Gilberto em uma tarde qualquer numa rua central da cidade. Ela era professora, baixinha e transbordava simpatia — o tipo de pessoa que você gosta de graça. O encontro foi mais rápido que Taylor Swift mudando de namorado, mas o melhor ficou para o caminho até o escritório.

Enquanto caminhávamos, o Gilberto me contou que tinha acabado de revelar para a mãe sua intenção de fazer uma vasectomia. Ele e a esposa, já tinham duas meninas e decidiram fechar a fábrica definitivamente.

A reação da boa senhora ao receber a notícia? Um misto de drama grego com desespero materno:

— Meu filho, não faça uma coisa dessas! Tu vais ficar gordo como os porcos!

Sempre muito respeitoso, o Cláudio teve que respirar fundo e dar uma verdadeira aula de anatomia e urologia ali mesmo. Explicou, tim-tim por tim-tim, que o procedimento moderno não tinha absolutamente nada a ver com a castração feita em suínos no interior.

Dona Coruja ouviu tudo em silêncio absoluto. Não comentou uma única palavra — o clássico sinal de que, na cabeça dela, o filho ainda corria o risco de virar um leitão de feira. O Gilberto me contou o causo chorando de rir. E, convenhamos, quem não riria?